sábado, 15 de junho de 2013

CANTAR O CICLO DA PASCOA

Cantar a Quaresma

Cada ano, a Igreja se une ao mistério de Jesus no deserto, durante quarenta dias – quaresma -, vivendo um tempo de penitência e austeridade, de conversão pessoal e social, especialmente pelo jejum, a esmola e a oração, conforme o Evangelho de Mateus (Mt 6, 1-6.16-18), proclamado na Quarta-feira de Cinzas, em preparação às festas pascais. São cinco domingos mais o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, que inicia a Semana Santa, também chamada Semana Maior. É este um tempo forte e privilegiado, em que fazemos nosso caminho para a Páscoa, renovando nossa fé e nossos compromissos batismais, cultivando a oração, o amor a Deus e a solidariedade com os irmãos. Tal austeridade deve se manifestar no espaço celebrativo, nos gestos e símbolos, como também no canto, para depois salientar a alegria da ressurreição, que transborda na Páscoa do Senhor:

- A cor roxa, as cinzas e a cruz lembram o caráter penitencial, de conversão;
- O espaço celebrativo deve ser sóbrio, sem ornamentação nem flores no altar;

- Não se recita nem se canta o “Glória”, assim como o “Aleluia”, que são aclamações jubilosas, marcadas pela festa e alegria, o que não combina com a Quaresma;
- É tempo de favorecer o silêncio musical. Por isso, os instrumentos devem acompanhar os cantos de forma discreta, somente para sustentar o canto... um teclado ou um violão apenas, silenciando os demais, para manifestar o caráter penitencial desse tempo. Sua função é apenas “prática”, na medida do necessário, para apoiar o canto;

- Cada tempo litúrgico tem seus cantos próprios; assim também a Quaresma. Cantos que expressem o conteúdo, os temas, a Palavra de Deus, enfim o aspecto do mistério pascal que celebramos. É preciso saber escolher bem os cantos, que acentuem a conversão, o perdão, a fraternidade e solidariedade, a vida, a luz, inspirados no Evangelho do dia. Mas sempre com os horizontes voltados para a Páscoa de Jesus, mistério central que celebramos em nossas liturgias.

- Neste tempo acontece no Brasil, já há mais de 40 anos, a Campanha da Fraternidade, que propôs, durante muito tempo, também cantos apropriados ao tema de cada ano, o que foi uma riqueza, mas também limitou o repertório dos cantos quaresmais. A partir de 2006 está havendo um esforço para se cantar o espírito e a liturgia da Quaresma, compondo-se apenas um Hino, que pode ser cantado no máximo no final da Celebração. A CNBB, em parceria com a Paulus, tem gravado uma série de CDs do chamado “Hinário Litúrgico”, apropriados para o Ano A, B e C.

- Cantos tradicionais e que já estão na memória do povo, devem fazer parte do repertório: Pecador, agora é tempo... O vosso coração de pedra... Prova de amor maior não há...

- Não se cante o Abraço da Paz, que aliás nem faz parte do rito, mas valorize-se o canto que acompanha a fração do pão, o “Cordeiro de Deus”, pois Jesus é o Cordeiro que tira o pecado do mundo. O “Senhor, tende piedade de nós” também seja valorizado, além das aclamações e pequenos refrãos orantes. O chamado canto final poderia ser omitido, deixando o povo sair em silêncio. Poderia ser outra também a resposta à Oração dos fiéis, que em geral é “Senhor, escutai a nossa prece”, como por exemplo: “Jesus, Filho de Deus, tem compaixão de nós!” além de outras, sugeridas pelo Missal Dominical.

- É importante intensificar o silêncio, criando um clima orante já antes do início da Celebração e ao longo da mesma. Sobretudo no Ato penitencial, na Oração da Coleta, entre as leituras, durante a Narrativa da Última Ceia, após a Comunhão...

A Quaresma desemboca na Semana Santa assim chamada, porque nela celebramos os momentos mais importantes da nossa salvação: “Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único... Tendo amado os seus, amou-os até o fim.” (Jo 3,16;13,1). Diz-nos Evair H. Michels, em seu livro “Pastoral da Música Litúrgica – Dicas Práticas”:

“Os ritos da Semana Santa devem ser realizados com particular solenidade, pois este tempo é o coração do ano litúrgico.”

Fonte:  Irmã Miria t. Kolling
Texto:http://www.irmamiria.com.br/notcompleta.php?id=2854&tipo=2


Uma boa sugestão  neste momento é retirar os instrumentos de percussão, e utilizar apenas um violão ou um orgão acompanhando o canto, é um tempo de sobriedade e silêncio. Seria interessante neste momento, colocar os instrumentos em um lugar ao lado do grupo de canto, para que a assembleia perceba que os instrumentos  foram retirados e que as musicas estão mais sóbrias.
Uma outra dica é a retirada do canto da apresentação dos dons, e que todos escutem as palavras pronunciadas pelo presidente da celebração nesta hora. ( " é um canto suplementar, esta categoria inclui os cantos para os quais não há textos específicos previstos. A rigor, são elementos facultativos da celebração, e nem precisam ser falados ou cantados".  Documentos da igreja sobre música liturgica Paulus, 3.411.3., p. 327). 
Outra dica como a irmã Miria disse, é a retirada  do canto final e que todos saiam em silencio.

Lembrem-se o hino da Campanha da Fraternidade não é composto para a liturgia da missa, mas sim para um momento pastoral de encontros e reuniões. Se forem  utiliza-lo é bom que seja posto no máximo no canto final, se no caso optarem por não seguir nenhuma das sugestões acima.


SUGESTÕES DE CANTO PARA A QUARESMA ANOS A-B-C


Sânderes Rogério Bucci
Coordenador do Canto Liturgico
Diocese de Jaboticabal -SP




Cantar a Semana Santa

"E, humilhou-se, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.
Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome
que está acima de todo os nomes" (Flp 2,8-9).



            A Semana Santa é o período mais próximo da Páscoa do Senhor. É uma semana de intensas celebrações e espiritualidade. É fundamental lembrar que a Vigília Pascal constitui o núcleo central de toda a Semana Santa. Vale ainda lembrar que o Tempo da Quaresma só termina na manhã de Quinta-feira Santa, quando é celebrada a Missa do Crisma.

            A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor e termina na tarde do Domingo da Ressurreição. É um período curto, porém denso. Na vespertina da quinta-feira santa dá-se início ao Tríduo Pascal com a Missa da Ceia do Senhor. Na Sexta-feira Santa a Igreja celebra o Mistério da Morte de Jesus. Neste dia não há celebração eucarística. No Sábado Santo, celebramos a permanência do Senhor no Sepulcro. Neste dia apenas é permitido a Liturgia das Horas.

            A Igreja está em luto!. A noite de sábado celebra-se a Vigília Pascal. Ela é o ponto máximo de todo o Ano Litúrgico. É a mãe de todas as vigílias. Nesta noite celebramos não somente a Páscoa do Senhor, mas também a páscoa dos cristãos. Fundamentalmente, celebramos a vida renovada em Cristo Ressuscitado. Os diversos ritos desta celebração fazem a vida divina penetrar na vida da comunidade celebrante.


INICIEMOS ENTÃO NOSSA SEMANA SANTA COM O DOMINGO DE RAMOS:



CANTAR O DOMINGO DE RAMOS

A Semana Santa inicia com o Domingo de Ramos, nesta liturgia celebramos a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, morte e ressurreição.
Montado em um jumentinho Jesus é aclamado pelo povo com folhas de palmeiras nas mãos, dizendo "Rei dos Judeus", "Hosana ao Filho de Davi", "Salve o Messias"... Com isto Jesus entra triunfante em Jerusalém despertando nos sacerdotes e mestres da lei, muita inveja, desconfiança, e medo de perder o poder. Inicia assim uma conspiração para matar Jesus.
O povo o aclama cheio de alegria e esperança, pois Jesus como o profeta de Nazaré da Galiléia, o Messias, o Libertador, certamente para eles iria libertá-los da escravidão que os massacrava com rigores excessivos e absurdos.
Poucos dias depois este mesmo povo, manipulados pelas autoridades religiosas, o acusaria de impostor, de blasfemador, de falso messias. E incitada pelos sacerdotes e mestres da lei, exigiria de Pôncio Pilatos, governador romano, que o condenasse à morte.
 Depois de fazermos este pequeno memorial partimos então para nossa celebração litúrgica, o Domingo de Ramos pode ser chamado também de "Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor". Nele, a liturgia nos relembra e nos convida a celebrar esses acontecimentos da vida de Jesus que se entregou ao Pai como Vítima Perfeita e sem mancha para nos salvar da escravidão do pecado e da morte. Crer nos acontecimentos da Paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, é crer no mistério central da nossa fé, é crer na vida que vence a morte, é vencer o mal, é também ressuscitar com Cristo e, com Ele vivo e vitorioso, viver eternamente.


PROCISSÃO DO ENCONTRO ( Quarta-feira )

Dentro da Semana Santa, também chamada de “A Grande Semana”, em muitas paróquias, especialmente no interior, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” entre: o Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores.

Os homens saem de uma igreja com a imagem de Nosso Senhor dos Passos e as mulheres saem de outra igreja com Nossa Senhora das Dores. Acontece então o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre, então, proclama o célebre Sermão das Sete Palavras, que na verdade são sete frases:

1. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34 a);
2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43);
3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27);
4. Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?! (Mc 15,34);
5. Tenho sede. (Jo 19,28 b);
6. Tudo está consumado. (Jo 19,30 a);
7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).

O sacerdote, diante das imagens, faz uma reflexão com estas frases, chamando o povo à conversão e à penitência. O silêncio é grande, já que a imagem de Nosso Senhor dos Passos mostra-o com a cruz às costas.

A expressão dos rostos das imagens é de dor e sofrimento. Algumas imagens de Nossa Senhora das Dores mostram-na abraçada a uma espada, lembrando certamente a profecia de Simeão: “Uma espada de dor te traspassará a alma”.

Quando estive na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, fiquei muito emocionado quando vi a imagem de Nossa Senhora das Dores.
No local onde, segundo a tradição, foi colocado Jesus crucificado, tem um buraco no chão. Onde foi colocada a cruz de Jesus, está embaixo um altar. A gente precisa ajoelhar-se para colocar a mão lá dentro. Imagine a emoção...

Só que antes de chegar a este lugar santo, a gente passa em frente à imagem de Nossa Senhora das Dores. Belíssima... Quem a fez conseguiu como que umedecer o seu rosto, e é como se ela estivesse chorando, mas com o rosto sereno. Sofrido, mas sereno. Chorei muito ao contemplá-la.

É tudo isso que vivemos neste tempo de profunda reflexão.
Nossa fé é pascal, passa pelo sofrimento, morte e ressurreição do Senhor.

Sigamos os passos de Jesus, sempre com Maria.


 
Cantar a Ceia do Senhor – Quinta-feira Santa:

Na Quinta-feira Santa a Igreja celebra o Mandamento Novo do Amor simbolizado pelo lava-pés. Também são celebradas a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio Ministerial. Os cantos agora se revestem da suavidade do Amor. Porém deve-se cuidar para que os cantos e os instrumentos musicais não extrapolem. Convém lembrar que é na Vigília Pascal que o canto de Aleluia e Glória é entoado com toda vibração e entusiasmo.  Na Quinta feira Santa  há o canto do glória.

No final da celebração temos a transladação do Santíssimo Sacramento. Terminada a oração após a comunhão, começa a procissão de transladação do Santíssimo. Enquanto isto acontece, os fiéis entoam cantos eucarísticos, e quando a procissão chegar ao local onde ficará guardado o Santíssimo, encerra-se com o canto do Tão sublime Sacramento. Temos o costume de realizar a vigília eucarística enquanto o Santíssimo estiver guardado. Cuide-se para que seja feita com sobriedade, mesmo nos cantos.



Cantar a Paixão do Senhor – Sexta-feira Santa:

A celebração desdobra-se em três partes: proclamação da Paixão do Senhor, preces universais, adoração à Cruz e comunhão. Os cantos devem corresponder ao espírito da liturgia deste dia. É um canto de pranto, de perda, canto de dor e tristeza. Mas é também um canto de confiança, a confiança do Servo Sofredor, que se entrega por todos nós, sem reservas. Nesta confiança, o canto deve nos inspirar a nos abandonar com Cristo nas mãos do Pai, para que se realize, assim como em Cristo, a sua vontade. Mas é também um canto de vitória, pois “Cristo, por nós, se fez obediente até a morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou...” (cf. Fl 2,8-9).  Os cantos devem ajudar a deixarmos nos envolver pelo dinamismo da liturgia da Paixão do Senhor, na atitude de quem dá a vida por seus amigos.
            Não convém, neste dia, utilizar muitos instrumentos musicais, como é de costume. Pode-se, porém, usar um instrumento sóbrio, apenas para dar sustentação ao canto. Mas lembre-se, de forma bem discreta. Uma boa sugestão é o som de um órgão ( bem suave ), ou um violão bem dedilhado ( com suavidade ).



Cantar a Páscoa do Senhor:


Páscoa é tempo de alegria e júbilo, para entoar cantos de festa em honra de Cristo Ressuscitado. O Tempo Pascal começa na Vigília Pascal e termina com a solenidade de Pentecostes. Os cantos e instrumentos terão participação fundamental. Sejam cantados e tocados com alegria, com entusiasmo, vibrantes. Valorizar os cantos do ordinário da missa principalmente o canto do aleluia. Os cantos devem nos ajudar a fazer uma experiência profunda do Mistério Pascal. O canto neste tempo é um canto de alegria, canto de tantos aleluias! Canto de vitória! Mas cuidado acabamos de sair de um tempo penitencial, sóbrio, onde os instrumentos estavam bem suaves e discretos, agora é possível que os instrumentos retornem com alegria e vivacidade, mas não devem extrapolar, cobrir o canto do povo, os instrumentos deve estar alegres, em tom, ritmo e andamento, mas com discernimento do instrumentista em tocar com a assembleia e não cobrir o canto da mesma.



UMA EXCELENTE SUGESTÃO SÃO OS 
CANTOS DO HINÁRIO LITURGICO DA CNBB





Cantar a ascensão do Senhor
A ascensão é a festa do triunfo do Senhor,  vitorioso sobre o pecado e a morte, retorna para junto do pai, e promete enviar o Espírito Santo (Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e na Samaria, e até os confins da terra.)  ( At. 1,8 ) para que todos os que nele creem e o amam, possam participar de sua vitória e do seu triunfo. Tem caráter missionário. Quem é abençoado, cumulado de bens, é chamado também a abençoar, a levar o bem para os outros.




Cantar Pentecostes
A solenidade será muito bem preparada a partir do 6º Domingo da Páscoa, seguida pela ascensão, tudo isto nos prepara para a festa de Pentecostes. É o 50º dia da Pascoa, o encerramento da Páscoa, a promulgação da nova Aliança no Espírito, pelo qual Cristo continua sua obra na igreja e no mundo. É o mistério de Cristo que envia seu Espírito prometido,é a festa da igreja animada e guiada pelo Espírito Santo, a festa de Pentecostes leva a igreja a renovar em si o Espírito, o Dom de Deus, que lhe é dado no Sacramento da Crisma ou Confirmação. Esta solenidade também tem profundo caráter missionário e apostóllico.

Pentecostes é "o último dia da festa"  ( Jo 7,37 ), da festa maior, do grande ALELUIA,  da alegria, sem par, que invade o coração dos cristãos, reunidos em nome e por ordem do Senhor Jesus, esperando o cumprimento de suas promessas. É antes de tudo cantar esta provisória plenitude, que a cada ano se renova, enquanto caminhamos pelas estradas do mundo, em busca da plenitude final e definitiva, quando Deus será "tudo em todos" ( 1 Cor 15,28 ) ( canto inicial do dia ).

A ressurreição de Cristo foi o desabrochar da primavera, e, no calor do Espírito, os frutos da Árvore da Vida vinham brotando e sazonando...  Quem semeou entre lágrimas ( Quaresma ), hoje faz com alegria a colheita final... É do melhor que se colheu, se faz oferta ao Senhor, para "o louvor de sua Glória", na assembleia dos irmão em Jesus, para a reativação da caminhada ( Sl 126 ) ( sugestão para preparação das oferendas )

É a soma de todos os dons e de todos os bens, que Jesus nos comunica com efusão do seu Espírito, o que vale dizer, muito recriado, reconciliado, paraíso perdido e reencontrado ( Sequência e salmo Responsorial).

É proclamar "as maravilhas de Deus", por todas as maneiras e em todas as linguas, e na força deste canto, encher-se da coragem da fé " que vence o mundo", da robustez do Espírito, e sair a testemunhar a vitória da Vida" até o fim dos tempos" ( Mt 28,20 ), "até os confins da terra" ( At 1,8 ) ( prefácio e comunhão ).

Sugestões de cantos para pentecostes se encontram no Fascículo II do hinário da CNBB.